Passam-se os anos. Interessamo-nos por umas coisas, desinteressamo-nos por outras. Arranjamos novos amigos, perdemos o contacto com outros. Só uma coisa se mantém imutável: o prazer de pedalar.
Já há uns anos atrás tinha participado numa prova de XC do Regional do Porto e o resultado foi... traumatizante! Um ritmo alucinante desde a partida e quando finalmente estamos a começar a aquecer... acaba! E fica-se a pensar: como é possível empenar em tão poucos kms?!
Ultimamente, com esta história das singlespeed, o Vitor Santos andava a aliciar o pessoal para uma competição nesta bicicletas, integrada no Campeonato InterFreguesias da Maia. Estava um bocado relutante mas, juntamente com outros 3 amigos, lá resolvi participar.
Afinal foi muito divertido. Um bom percurso, um ambiente fantástico e um público muito simpático. E, de certa forma, fizemos história: tanto quanto se sabe esta foi a primeira competição singlespeed realizada em Portugal. Estou ansioso pelo dia 15 de Junho, data da próxima prova. Só lamento não me ter decidido mais cedo, pois será a última prova deste campeonato. Mas para o ano há mais...
Fui convidado a participar na 41ª etapa da Estafet@ Velocipédi@, que ligou Guimarães a Celorico de Basto.
Iniciei então o seguinte raciocínio: -Segundo a "organização", os pisos de terra só começavam depois de Fafe e prolongavam-se entre 30 a 40km até Celorico. Logo de Guimarães a Fafe é asfalto, não conta. -Se eu pensar em regressar de bicicleta tenho de subir desde Celorico e depois é sempre a descer até Fafe. A descida não conta e a subida também não pois a seguir vem a descida para descansar. -De Fafe a Guimarães pela ciclovia também não conta. -E se sair de casa a pedalar? É capaz de se gastar a mesma energia a meter e tirar a bicicleta de dentro do carro que a percorrer os 15km de estrada. Logo... também não conta!
Foi com este raciocínio que me convenci que conseguia ir de casa a Celorico e voltar em apenas 40km.
Bom... na realidade foram 122km. Não regressei por Fafe mas sim por Felgueiras. Tenho é umas contas a ajustar com um certo engraçadinho que me ensinou que o melhor caminho de Felgueiras para Vizela implicava subir a Barrosas...
A tal "voltinha" de 110km de que falo no post anterior teve, segundo os amigos que me convidaram, alguns pontos comuns à Maratona da Póvoa. Apesar deste percurso ter sido agradável, deu para confirmar aquilo que eu já previa: que fiz bem em poupar os 25€ da inscrição na dita maratona. Pagar para percorrer aqueles trilhos? Felizmente que optei pelos "5 Cumes de Barcelos" na semana anterior.
Que poderia pedir mais? Terminei o ano com uma volta de 110km na companhia dos amigos e comecei o novo ano com mais 30km nas encostas da Santinha (para descomprimir, claro...). Espero que isto seja um presságio de um 2008 cheio de pedaladas.
"Life in Cartoon Motion" não é propriamente uma novidade mas só hoje tive oportunidade de ouvir o álbum todo. Eu não queria transformar este blog num depósito de video clips mas a verdade é que gostei muito deste tema:
Nota: não se trata do clip "oficial", é apenas uma montagem que alguém se lembrou de criar.
Pelos vistos não é nenhuma novidade mas só hoje ao ouvir a rádio descobri esta pérola (na minha opinião, claro). Como apreciador de rap e de boas letras fiquei encantado.
Depois veio-me à memória um tema de 93 do Pensador. Será que sou só eu que noto semelhanças?
Hoje fui pedalar sozinho. Foram mais de 3 horas sem parar. Pelo caminho lembrei-me do titulo duma canção dos Depeche Mode: "Enjoy the silence". Ao contrário do que me é habitual nunca me dei ao trabalho de analisar com mais atenção a letra. Apenas aprecio a melodia... e o título! Não o entendo como se referindo estritamente ao silêncio. Interpreto-o mais como um "Aprecia a solidão".
Desde que me lembro sempre fui um apreciador da solidão... um pouco individualista até, confesso. Não quero dizer com isto que só esteja bem sozinho, longe disso. Aprecio, e bem, a companhia dos outros. Mas preciso dos meus momentos de solidão. E tenho de ter direito a eles com alguma regularidade para conseguir "funcionar" bem.
Mas dizia eu que fui pedalar sozinho. Após três dias fechado das 9 às 18 numa sala de formação, sentia-me pêrro! Na verdade nem me apetecia nada pegar na bicicleta. Mas é precisamente nestas alturas, quando não apetece, que me dá mais gozo fazer prevalecer aquilo que quero sobre aquilo que me apetece. Ao principio tudo custa mas depois estamos ali, acompanhados apenas pelos nossos pensamentos mais variados e vamos pedalando, pedalando... Podia passar o dia naquilo.
Vem-me também à memória o passado mês de Abril, faltavam poucos dias para a Maratona de Portalegre. Tinha estado doente e ainda por cima, por motivos profissionais, encontrava-me a passar três semanas a 300km de casa. Levei uma das bicicletas comigo para poder treinar ao final do dia. E lá ia num desses dias, com o Sol a preparar-se para desaparecer no horizonte, a pedalar contra o vento numa longa estrada deserta do Ribatejo, com o frio a obrigar-me a improvisar tampões de ouvido com lenços de papel. Quando tudo parecia conjugado para me aborrecer... eu sentia-me muito feliz!
A que propósito é que escrevo agora sobre isto? Por nenhum motivo especial. Mas apeteceu-me escrever. E apreciar a solidão!